Grato sou por tanto apreço.
'Té sinto que não mereço.
Mas, se de tanto que se produz,
viestes a estas letras dar conta
é porque algo a dizer-lhes tenho
e a mim o tens também.
Se me fazes crescer nestas ondas,
faço a vós algo de bem.
Salve, brazucas!
Salve, lusos!
Salve, irmão de toda Terra!
Cá o sabiá 'inda canta,
lá o fado me embala.
É prazer que encanta
poder tão perto estar
estando entre nós o mar.
Salve, lira portuguesa,
herança camoniana!
Salve, Cabo! Salve, Angola!
e todos dos outros falares.
Minh'alma é um pouco de vós,
Voss'alma em mim tem nós.
Aquieta teu coração,
Teu amor aqui está
Ao teu lado sempre, sempre.
Lê em mim em cada olhar,
Em cada gesto e no falar.
Mesmo que não te pareça,
Lê em mim que te amo assim:
De dedinhos as mãos cheias,
Emprestando 'té dos outros,
P'ra poder dizer-te o quanto.
Lê em mim: te amo muito.
Te amo agora e sempre mais,
E mais...
E mais...
Espaço verde
(que um dia foi mais verde)
ou de concreto apenas,
compartilhável,
com seu colar de metálicos,
balizados ou não.
Aberto a naturezas, culturas,
também a mediocridades.
Até propagandas tem:
vote-em-mim e coca-colas.
Lá, dia ou noite, se vê:
a criança co'a babá,
o casal de namorados,
os amantes ou afins,
seus dissabores e amores,
o executivo e os negócios,
o operário e o patrão,
o ambulante e o 'rapa',
novos e antigos amigos
- sinceros ou interesseiros -
colegas e companheiros,
matando aula, o estudante,
esculturas e chafariz,
pivetes e engraxates,
mendigos e vagabundos,
malandros e prostitutas.
'reco', polícia e ladrão,
uns rapazes delicados,
outros nem tanto, na mão,
coreto para políticos,
vendedores, pregadores
- para opostos e iguais -
co'a boca no trombone.
É ringue para rivais,
estúdio para os artistas.
O 'Voz das Horas'
Avisa
a vida nova
a prece
os finais
Aclama
regressos
ouro em laços
troféus
Chora
lenços brancos
... e
No carrilhão do tempo
Ergue-se
no campanário das existências
Canta
em tons solenes
Canta versos
Solfejados
Em busca de reflexos
Do que foi
Do que será
E faz cogitar
De outros espelhos
De outros versos
Das buscas do outro
“Somos todos anjos de uma asa só, precisamos nos abraçar para poder voar” (Uns atribuem a Quintana, outros a Pessoa... eu atribuo ao sentimento que inspirou o poeta)
Anjo sofre se não voa.
Preso um anjo entristece.
Precisa muito cuidado
- que só um anjo merece -
quando ele fica irritado.
Meu anjo quebrou a asa. Vê-lo infeliz é tortura. É preciso muito amor e uma boa atadura.
Só aos pares nós voamos, nós, anjos de uma asa só. Quando um fica ferido o outro fica também. mas tem que fazer de tudo para o seu par ficar bem.
Anjo sofre se não voa. Se quebra a asa é pior. Mas logo ficará boa.
Anjos, assim como nós, 'inda que muito não queiram, depressa se recuperam, pois jamais ficam sós.
O poeta que me perdoe, mas 'beleza é fundamental' ter dentro,
no coração.
É como a sábia raposa
disse ao principezinho: 'aos olhos, é invisível o essencial'.
Beleza é fundamental
em um caráter maduro.
Beleza
nos sentimentos,
dos pensamentos bons.
Tempos e ventos
deformam as externas formas.
Mas o espírito fica
se em beleza é formado.
Reverencio Vinícios,
Ele há de perdoar...
Beleza é mesmo fundamental,
mas como o disse Saint Exupéry:
Beleza que não se vê
é que é fundamental.